O poder da simplicidade

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A escalada da complexidade da sociedade contemporânea e das relações interpessoais nos pressiona de forma a nos sentirmos incompetentes, incapazes de lidar com as demandas do mercado de trabalho. Nunca tanta informação esteve disponível e muito se fala do poder das novas tecnologias, que vão revolucionar o modo como as empresas trabalham, uma transformação intensa no modo como fazemos negócios, como vivemos, como nos comportamos.

Em minha visão, tudo isso tem gerado uma necessidade cada vez mais aguda pela simplicidade.

Como executivo, participei de diversas ações de reestruturação e transformação corporativa, para aumentar a produtividade, para mudar as estratégias de competição, uma variedade de programas e modelos. Analisando esses aprendizados em retrospectiva, fica uma lição importante: agir de forma simples é sempre melhor. Esse é um traço de liderança importante na jornada executiva. Mas poucos se dão conta disso.

Quanto mais simplificarmos a vida dos nossos clientes, fornecedores, colaboradores, acionistas, mais perceberemos que aí reside uma fonte de vantagem competitiva. Ora, não estamos cansados de ver que, muitas vezes, um simples contato no call center, para um esclarecimento, é um martírio? E uma troca de mercadoria? Um pesadelo. Quantos exemplos não lemos nos jornais e revistas especializados diariamente? Quando falamos em gestão de processos, sistemas de tecnologia da informação, mundo digital, tudo parece convergir na direção contrária à da simplicidade. Precisamos romper com essa lógica torpe.


“Nas organizações, isso significa descermos de nosso pedestal de experts e priorizarmos os colaboradores como os agentes da transformação dos novos projetos, da nova estratégia.”


Felizmente, há executivos seniores, alguns com os quais tive o privilégio de conviver, trabalhando pela simplicidade. E, sinceramente, eu acredito que uma discussão séria a respeito deveria fazer parte das escolas de administração. Nessa esteira, um exemplo que tem me chamado a atenção positivamente é o programa de capacitação para docentes do qual tenho participado no Insper. Denominado “Aprendizagem Centrada no Aluno”, ele muda o eixo do protagonismo do professor para o aluno em todas as dimensões possíveis (formato e dinâmica da aula, objetivos de aprendizado, etc.) e leva em consideração que qualquer novo conhecimento se origina do conhecimento prévio do aluno. É simples, mas eficaz ao seu propósito.

Analogamente, nas organizações, isso significa descermos de nosso pedestal de experts e priorizarmos os colaboradores como os agentes da transformação dos novos projetos, da nova estratégia, dos novos modelos. Significa também tornar simples, inteligível, o que precisa ser feito, o papel de cada um, com exemplos claros, sem linguagem rebuscada, com senso de propósito.

Para ilustrar esse movimento, penso que os onze passos listados a seguir por Dieter Brandes, ex-CEO do Aldi (empresa do varejo alimentício), podem ser um bom ponto de partida:

  1. Seja simples.
  2. Conquiste a confiança dos clientes.
  3. Trabalhe com metas claras.
  4. Aperfeiçoe os detalhes diariamente.
  5. Não tente otimizar, maximize.
  6. Foque em pouco indicadores relevantes.
  7. Experimente imediatamente, aperfeiçoe depois.
  8. Ajude os fornecedores a melhorar.
  9. Administre de acordo com princípios, confiança e controle.
  10. Comunique-se de forma clara.
  11. Apesar do sucesso, mantenha uma operação simples.

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